Neurofeedback na Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA)


O que a investigação nos diz acerca da utilização do Neurofeedback na PHDA?

Considerando as limitações significativas das intervenções correntes, é consensual entre os clínicos a necessidade de novas opções de tratamentos na PHDA, sendo o Neurofeedback uma das melhores possibilidades (Moriyama, et al., 2012).

Mais de 20% das crianças diagnosticadas com PHDA, não respondem adequadamente ao tratamento farmacológico (Diaz, 2006), sendo por mais esta razão que o Neurofeedback tem ganho especial importância nos últimos anos (Baydala & Wikman, 2001, Meisel et al., 2011; Rossiter, 2004), não apresentando efeitos secundários (Gevenselebel, et al., 2009, Bakhtadaze, et al., 2011).

No estudo de revisão de Loaiza, Calderón-Delgado e Barrera-Valencia (2014), verificou-se que em relação ao treino por Neurofeedback, existe uma redução sintomatológica da PHDA em todos os estudos realizados, especialmente nos que se relacionavam com as dificuldades de concentração (e.g. Bakhsayesh, et al., 2011), impulsividade, hiperactividade e a auto-regulação (e.g. Drechsler, et al., 2007). Considerando a aplicação de provas neuropsicológicas, verificou-se melhorias nos testes de reacção, bem como nas classificações de pais e professores (e.g. Gevensleben, et al., 2009).

Os investigadores Chartier e Kelly (1991) reviram os efeitos do Neurofeedback em 200 crianças treinadas por Lubar (1985) e concluiram que este modo de tratamento trouxe melhorias clínicas significativas e “dramáticas”. Mais tarde, Gaddes e Edgell (1994) reportaram que 80% das crianças com PHDA que foram tratadas com neurofeedback mostravam melhorias significativas nos testes padronizados e nas escalas de comportamento dos pais e professores, sendo que estas aprendizagens eram mantidas ao longo do tempo. O Neurofeedback é uma ferramenta para a redução de sintomas, a longo-prazo, mostrando que os efeitos se prolongam desde 1 a 10 anos (e.g. Lubar, 1995; Tansey, 1993).

É uma alternativa ao uso de medicação, sendo considerado o único tratamento com melhorias sustentadas nos sintomas principais da PHDA, na ausência de terapia farmacológica (Monastra et al., 2005).

 

Neurofeedback vs terapia farmacológica:

Estudos comparativos entre o treino por Neurofeedback e a terapia farmacológica reportaram que ambos os grupos beneficiaram, de forma semelhante, com o tratamento, (Funchs et al., 2003). Contudo, um ano após o seu término, apenas os pacientes que tinham feito treino por Neurofeedback mantinham os resultados alcançados (Monastra et al., 2005). É no longo-prazo que o neurofeedback se distingue da terapia farmacológica, mantendo os ganhos com o tempo, pois o objectivo do treino com NF não é apenas promover modificações específicas no padrão do QEEG, mas ensinar os indivíduos de que é possível ganhar controlo sobre os estados mentais e desenvolver estratégias para perceber e modificá-los de acordo com o auto-controlo (Moriyama et al., 2012). No desempenho académico, verificaram-se melhorias significativas apenas no grupo de treino por Neurofeedback (Meisel et al., 2014).

Da perspectiva da pessoa, o treino por neurofeedback é virtualmente o oposto ao tratamento com medicação. No Neurofeedback a criança/adolescente reconhece rapidamente que ninguém irá fazer o “seu trabalho” por ele. Têm o controlo, responsabilidade e a capacidade para trabalharem para eles próprios. O feedback é uma ferramenta importante permitindo-lhes aprender a auto-regulação. As estratégias meta-cognitivas permite-lhes aplicar essa auto-regulação nas tarefas escolares e organizacionais.